Evo Morales: “Não me arrependo de ter expulso o embaixador dos EUA”

(A continuación en español) Em uma conversa que será transmitida hoje à noite, às 22 horas, pelo canal América 24, Morales conta como as nacionalizações foram decididas, as relações conflitantes com os EUA, o que é ser de esquerda hoje e os desafios que a região enfrenta.

A reportagem é de Nicolás Trotta, reitor de UMET, publicada por Página/12, 09-07-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Viajamos aos 3.600 metros de La Paz para poder conversar com o presidente Evo Morales e acompanhá-lo em uma maratona de viagens por diferentes cidades. Os dias do primeiro presidente de origem indígena são eternos. Começam às 4 da manhã e terminam à meia-noite. São famosas as anedotas de funcionários que se rendem ao cansaço e dormem sentados em reuniões de gabinete. A reunião é no Palácio Quemado, às 7 da manhã, depois de uma reunião entre o Presidente e o Estado-Maior das Forças Armadas. Todos devem se adequar à sua incansável cultura de trabalho. Em uma extensa conversa, Morales é assertivo e não evita nenhuma definição.

Eis a entrevista.

O que significa ser de esquerda no século XXI?

Primeiro, identificar os inimigos internos e externos. O inimigo interno que há em cada Estado é a direita e ela é um instrumento do império. Se falamos do Império, falamos sobre do saque de recursos naturais que existe em todo o mundo, desde que a história da humanidade começou. Ser esquerdista neste século, neste milênio, é orientar as novas gerações para que elas estejam convencidas de que seu pior inimigo é o capitalismo. Se não identificarmos os inimigos internos e externos, não garantiremos esperança para as gerações futuras, e internamente, como um governo, devemos apresentar resultados na administração pública.

A integração de toda a Bolívia, não apenas territorial, mas de todas as nações que a compõem, é um feito inédito em nossa América Latina, é um processo que deveria ser conhecido em todo o continente.

Eu digo que unimos a Bolívia de leste à oeste, do campo à cidade. Em 1959, os Estados Unidos proporam que Bolívia desaparecesse, e que algumas pessoas fossem a Argentina, outras ao Chile, ao Paraguai, ao Brasil. Que não haja mais a Bolívia.

Quero ressaltar a importância de não termos um embaixador dos Estados Unidos. Um mineiro exilado, expulso da Bolívia, me disse: “presidente Evo, é preciso ter cuidado com a Embaixada”. Perguntei a ele por que e ele me respondeu que só não havia golpe nos Estados Unidos porque não haviam embaixadores norte-americanos nos Estados Unidos.

A sabedoria popular.

Não me arrependo de ter expulsado o embaixador dos Estados Unidos.

Por que foi ele um dos principais incentivadores da tentativa de golpe de Estado, em 2008.

Sim, exatamente.

Como a América Latina do futuro sonha?

Compartilhamos ideias com presidentes como Raúl [Castro], Correa, Maduro, e com alguns ex-presidentes também, e gostaríamos que o nosso continente, através da América Latina e do Caribe, fosse um modelo de continente. Veja o problema das FARC, na Colômbia, que deve ser finalizado através do diálogo. Devemos ser um continente de paz, mas com justiça social, uma paz com dignidade e igualdade de direitos. A América Latina tem muitos recursos naturais que estão em nossas mãos, por isso eu sonho que a América Latina deva ser um modelo de continente para outros continentes.

Quais são seus temores?

As agressões econômicas, políticas e militares dos Estados Unidos. E para enfrentar isso é muito importante a unidade dos povos e a unidade dos movimentos sociais.

Como se chegou a este presente processo de transformação ao qual se encontra o seu país?

Foi uma longa reflexão. Lembro-me perfeitamente, na ocasião do 500º aniversário da resistência indígena popular, referindo-me à invasão europeia de 1492 a 1992: os líderes indígenas decidiram trocar o seu posicionamento de resistência, de estado colonial, de modelo neoliberal, da dominação imperial, para então tomar o poder. Sinto que, em alguns países, mas especialmente na Bolívia, temos cumprido esse mandato de profundas reflexões após os 500 anos da invasão. Nós mesmos dissemos que precisávamos nos governar. Se formos recordar o passado daqui, éramos governados por pessoas de fala inglesa, incluindo no Palácio Presidencial Quemado. No gabinete, havia a participação ativa do Fundo Monetário Internacional, e no Palácio, da CIA. No Banco Central da Bolívia estava o escritório do FMI. Éramos praticamente dominados e submetidos aos organismos internacionais e, por esse motivo que surgiu essa motivação para que nós mesmos nos governássemos. Para isso também nos perguntamos por que motivos com o poder sindical, com o poder social, não poderíamos aprovar leis e decretos e, então, tivemos que pular de uma luta sindical, de uma luta social, para uma luta eleitoral, com princípios, com valores, com ideologia, com programas feitos pelos bolivianos, inspirados pelos movimentos sociais.

Quais foram os eixos desse programa eleitoral?

Decidimos três coisas: no terreno político, a refundação da Bolívia, no econômico, a nacionalização, e no social, a redistribuição da riqueza. Este é o modelo econômico do país. E nossa experiência mostra o quão importante tem sido acompanhar a libertação política através de uma libertação econômica, a libertação política com a refundação da Bolívia. Deixar o Estado colonial. De um Estado colonial passar a um Estado plurinacional onde todos tenhamos direitos, obrigações e deveres, pois somos seres humanos. Somos tão diversos e não apenas em uma diversidade geográfica, econômica, fisionômica. Isso é respeitado, embora esta etapa tenha sido difícil. A questão da nacionalização e da parte econômica foi mais fácil. Além disso, quero confessar-lhe que, como é a primeira vez que um dirigente sindical que também é do movimento indígena chega a presidência, as pessoas me dizem que “se eu administrar mal a Bolívia, nunca mais o povo boliviano irá confiar em outro dirigente sindical de origem indígena”.

Ascender à presidência implicava a tomada formal do poder, mas não necessariamente o exercício. A influência dos EUA tem sido historicamente muito forte, da mesma forma que a do establishment tradicional da Bolívia da Lua Crescente. Um dos primeiros passos de seu governo foi a nacionalização dos recursos de hidrocarbonetos. Como foi esse processo?

Em 2006 nacionalizamos os hidrocarbonetos e nesse caso não havia de consultar o povo, pois foi uma decisão política. Após a nacionalização recordo que as empresas disseram que não investiriam na Bolívia. [Néstor] Kirchner me disse: “Evo, me ligue, vou investir na Bolívia através de nossa empresa”. Após a nacionalização, que tive o apoio de Kirchner, Hugo Chávez veio visitar-me para fortalecer e garantir esta nacionalização. Isto foi muito importante, pois essas políticas têm sido bem recebidas pelo povo boliviano.

Quais foram talvez os equívocos que seu governo cometeu em 11 anos de transformações?

Talvez alguns erros passageiros, mas não estruturais. Tentei levantar o subsídio aos combustíveis e acabamos retrocedendo. Depois, buscamos outra maneira de eliminar os subsídios, porque uma subvenção exagerada implica em uma instabilidade econômica. Erros estruturais nunca ocorreram e, por isso, quando alguém nunca erra em seus princípios, depois o acompanham, pois pode haver alguma demanda não atendida, alguns problemas de caráter regionais ou municipais, mas o importante é não errar, como presidente e como governo.

Quais são os principais desafios da Bolívia para a próxima década?

Temos o Plano do Bicentenário: em 1825 a Bolívia foi fundada e em 2025 serão 200 anos. Temos um plano que é muito ambicioso, que é melhor do que a agenda da ONU de 2030. Queremos ter zero de pobreza extrema, 100% de serviços básicos, a energia elétrica já estamos acima de 90%, mas o mais atrasado mesmo é o tema do saneamento básico. A água já não é mais um problema como antes, avançamos bastante nas telecomunicações graças aos satélites Tupac Katari, e na infraestrutura estamos em plena construção para unir o leste e o oeste do país. É um grande plano, um plano de libertação, e o sonho que eu tenho é que a Bolívia possa se tornar um modelo.

“No me arrepiento de haber expulsado al embajador de EE.UU.”

En una charla que se emitirá completa esta noche a las 22 por América 24, cuenta cómo se decidieron las nacionalizaciones, las conflictivas relaciones con EE.UU., qué es ser de izquierda hoy y los desafíos que enfrenta la región.

La entrevista es de Nicolás Trotta, Rector de la UMET, publicada por Página/12, 09-07-2017.

Viajamos a los 3600 metros de La Paz a la espera de poder conversar con el presidente Evo Morales y acompañarlo en una maratónica jornada de recorrida por distintas ciudades. Los días del primer mandatario de origen indígena son eternos, arrancan a las 4 de la mañana y terminan a la medianoche. Son famosas las anécdotas de funcionarios que caen rendidos ante el cansancio y dormitan sentados en reuniones de gabinete. La cita es en el Palacio Quemado, a las 7, después de una reunión entre el presidente y el Estado Mayor de las Fuerzas Armadas. Todos deben adecuarse a su incansable cultura del trabajo. En una extensa conversación, Morales es frontal y no evade ninguna definición.

¿Qué significa ser de izquierda en el siglo XXI?

Primero identificar a los enemigos internos y externos. El enemigo interno que hay en cada Estado es la derecha y la derecha es un instrumento del Imperio. Si hablamos del Imperio, hablamos del saqueo de los recursos naturales que hay en todo el mundo, desde la historia de la humanidad. Ser izquierdista en este siglo, en este milenio, es orientar a las nuevas generaciones, que las nuevas generaciones deben estar convencidas que su peor enemigo es el capitalismo. Si no identificamos a los enemigos internos y externos, pues no garantizaremos la esperanza de las futuras generaciones e internamente como gobierno debemos presentar resultados en la gestión pública.

La integración de toda Bolivia, no solo territorial, sino de todas las naciones que la componen, es un hecho inédito en nuestra América Latina es un proceso que debería ser conocido en todo el continente.

Yo digo que hemos unido Bolivia, occidente y oriente, campo y ciudad. En el año 1959, Estados Unidos. planteó hacer desaparecer Bolivia, unos que se vayan a Argentina, otros a Chile, Paraguay, Brasil. Que no haya Bolivia. Quiero decir lo importante de no tener embajador de Estados Unidos. Un exiliado minero expulsado de Bolivia me dijo: “presidente Evo hay que cuidarse de la Embajada.” Le pregunte por qué y me respondió que únicamente no hay golpe de Estado en Estados Unidos porque no hay embajador de Estados Unidos en Estados Unidos.

La sabiduría popular.

No me arrepiento de haber expulsado al embajador de los Estados Unidos.

Quien fue uno de los grandes impulsores del intento del golpe de Estado en 2008.

Sí es.

¿Cómo sueña la América Latina del futuro?

Compartimos con presidentes como Raúl [Castro], Correa, Maduro, con algunos ex presidente también, y quisiéramos que nuestro continente mediante América Latina y el Caribe sea un modelo de continente. El problema de las FARC en Colombia que debe acabarse mediante el diálogo. Debemos ser un continente de paz pero con justicia social, una paz con dignidad e igualdad en derechos. América Latina tiene muchos recursos naturales, están en manos nuestras, por eso sueño que América Latina debe ser un modelo de continente para otros continentes.

¿Cuáles son sus temores?

Las agresiones económicas, políticas y militares de los Estados Unidos. Y para enfrentar eso es muy importante la unidad de los pueblos y la unidad de los movimientos sociales.

¿Cómo se llegó al presente de transformaciones que transita su país?

Ha sido una larga reflexión. Recuerdo perfectamente, con motivo de los 500 años de resistencia indígena popular, me refiero a la invasión europea de 1492 a 1992, ahí los líderes indígenas decidimos pasar de la resistencia, del estado colonial, del modelo neoliberal, de la dominación imperial, pues, a tomar el poder. Siento que en algunos países, especialmente en Bolivia, hemos cumplido con ese mandato de profundas reflexiones a 500 años de la invasión. Dijimos que nosotros mismos debemos gobernarnos. Recordarán el pasado aquí, gobernaban algunos de habla inglesa, inclusive en el Palacio Quemado, en el gabinete, participaba el Fondo Monetario Internacional, en el Palacio estaba la CIA. En el Banco Central de Bolivia estaba la oficina del FMI.

Eramos prácticamente dominados y sometidos a las instancias internacionales, y por eso viene el gobernarnos nosotros mismos. Para eso también nos planteamos que con el poder sindical, con el poder social, no podíamos aprobar leyes y decretos, entonces teníamos que saltar de la lucha sindical, de una lucha social a una lucha electoral, con principios, con valores, con ideología, con programas hechos por los bolivianos, inspirados por los movimientos sociales.

¿Cuáles fueron los ejes de ese programa electoral?

Decidimos tres cosas: en lo político, la refundación de Bolivia, en lo económico la nacionalización, y en lo social la redistribución de la riqueza, ese es el modelo económico del país. Y nuestra experiencia demuestra qué tan importante ha sido acompañar a la liberación política mediante una liberación económica, la liberación política con la refundación de Bolivia. Dejar el Estado colonial, de un Estado colonial pasar a un Estado plurinacional donde todos tengamos derechos, también obligaciones y deberes, pues somos seres humanos. Somos tan diversos, no solamente diversidad geográfica, económica, fisionómica, eso se respeta y esa etapa ha sido difícil, el tema de la nacionalización y la parte económica ha sido más sencilla. Además de eso quiero confesarle que, como por primera vez un dirigente sindical y del movimiento indígena llega a la presidencia, me dije “si yo dirijo mal Bolivia nunca más el pueblo boliviano va a confiar en otro dirigente sindical y de origen indígena”.

Acceder a la presidencia implicaba la toma formal del poder, pero no necesariamente el ejercicio. La influencia de los EE.UU. históricamente ha sido muy fuerte al igual que la del establishment tradicional de la Bolivia de la Medialuna. Uno de los primeros pasos de su gobierno fue la nacionalización de los recursos hidrocarburíferos. ¿Cómo fue ese proceso?

En 2006 nacionalizamos los hidrocarburos, ahí no había que consultarle al pueblo, fue una decisión política. Luego de la nacionalización recuerdo que las empresas dijeron que no iban a invertir en Bolivia. [Néstor] Kirchner me dijo: “Evo llámeme por teléfono, yo voy a invertir en Bolivia mediante nuestra empresa”. Después de la nacionalización, tuve apoyos de Kirchner, Hugo Chávez vino a visitarme para fortalecer y garantizar esta nacionalización, ha sido tan importante, esas políticas han sido bien recibidas por el pueblo boliviano.

¿Cuáles cree que han sido quizás las equivocaciones que ha tenido su gobierno en 11 años de transformaciones?

Tal vez errores un poco pasajeros, no estructurales. Intenté levantar la subvención al combustible y hemos retrocedido. Después buscamos otra forma de eliminar la subvención, porque una subvención exagerada implica inestabilidad económica. Errores estructurales nunca hubo y por eso cuando uno nunca claudica en sus principios, después lo acompañan, puede haber alguna demanda no atendida, algunos problemas, problemas de carácter regional o municipal, lo importante es no claudicar, como Presidente y como gobierno.

¿Cuáles son los principales desafíos de Bolivia para la próxima década?

Tenemos el Plan del Bicentenario, en el año 1825 se fundó Bolivia, al 2025 son 200 años. Tenemos un plan que es muy ambicioso, mejor que la agenda de Naciones Unidas de 2030. Queremos tener cero de extrema pobreza, servicios básicos al 100%, en energía y electrificación ya estamos sobre el 90%, lo más atrasado es el tema de alcantarillado. El agua ya no es un problema como antes, telecomunicaciones hemos avanzado bastante gracias al satélite de telecomunicaciones Tupac Katari y en infraestructura estamos en plena construcción para unir oriente y occidente. Es un gran plan, un plan de liberación y el sueño que tengo es que Bolivia pueda convertirse en un modelo.

Fuentes:

http://www.ihu.unisinos.br/569513-nao-me-arrependo-de-ter-expulso-o-embaixador-dos-eua-entrevista-com-evo-morales

https://www.pagina12.com.ar/49023-no-me-arrepiento-de-haber-expulsado-al-embajador-de-ee-uu

 

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