PEQUENAS MIGALHAS E GRANDES ROUBOS

Nosso companheiro Irredento Jandir, apresenta um analise da atual Conjuntura Brasileira.

Por Jandir Santin

 

PEQUENAS MIGALHAS  E GRANDES ROUBOS

Toda a classe trabalhadora já sabe que os Estados com Democracia Representativa são instrumentos de dominação das classes ricas. Estas, além de ter em suas mãos os Meios de Produção e seus instrumentos para desenvolvê-los e aumenta-los, como os Bancos, os Meios de Comunicação e os Serviços de apoio e assessoria, contam com os poderes do Estado que elaboram, julgam e aplicam as Leis. Se não bastassem todas essas forças a favor das classes poderosas, elas ainda contam com o Sistema Econômico Internacional e seu maior representante: o Império de turno.

                Desse modo dá pra entender porque a Dominação sobre as classes trabalhadoras é tão forte e acachapante. Estas contam com instrumentos bem menos poderosos, como os movimentos sociais, sindicatos, alguns partidos populares e apoios esporádicos de igrejas e personalidades representativas dos Direitos Humanos e do meio artístico. E, para piorar a situação das classes populares, vários desses instrumentos ou não funciona ou ainda se colocam a serviço da classes dominante, como a maioria dos sindicatos e de suas centrais.

                Com essa memória inicial não pretendo jogar água no fogo das lutas das classes trabalhadoras ou apagar suas esperanças e utopias. Tanto é que estou nessa caminhada de  lutas da classe trabalhadora e na construção de um mundo mais igualitário há mais de 50 anos. Por isso mesmo, tenho consciência das dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores. Como gostaria de poder falar mais das vitórias das classes trabalhadoras! Mas agora estamos numa fase de domínio mais acachapante do Sistema. É nossa etapa de resistir com todas as armas que temos. Inclusive, é tempo de criarmos Novas Armas de luta, porque já temos consciência que algumas que já nos serviram hoje já não servem! O Sistema as contaminou de tal forma que passou a elas seu vírus. Ao invés de servirem à classe trabalhadora, ajudam na dominação da mesma! É triste constatarmos isso, não?! Mas é a dura realidade dos que se vendem ao Sistema, seja consciente, seja inconscientemente…

ROUBOS E MIGALHAS

                Já sabemos que o sistema capitalista internacional voltou, após o estouro da  grande crise econômica de 2008, à etapa atrasada do Neoliberalismo. Nós já sabemos que as Crises Econômicas são provocadas pelo próprio Sistema e servem para concentrar ainda mais o Capital nas mãos de menos gente. Além de FUNDIR grandes empresas/capitais de setores afins e obrigar pequenas e médias empresas a falir ou entregar-se às maiores, ainda sobram capital financeiro para comprar novas fontes de renda. Como os Estados estão todos endividados com o Capital Financeiro, são forçados a vender as empresas públicas para que o Capital faça render mais seu dinheiro acumulado. Assim, aquilo que foi construído pelos governos com o dinheiro suados dos impostos pagos pelo povo, é vendido a preços e condições favoráveis aos detentores do Capital. E, para que o povo não reclame das vendas desavergonhadas, os governantes usam os meios de comunicação para convencer o povo de que as empresas públicas são ineficientes, que estão repletas de corrupção, etc. etc. Daí porque muita gente do povo apoia as Privatizações. Depois vivem se queixando das empresas de telefonia, dos bancos particulares, etc. E haja trabalho para o PROCON, para advogados e o sistema judiciário. E o povo pagando caro pelos serviços das empresas privatizadas.

MIGALHAS…

                Em meio a todos esses grandes roubos e enganações, o governo percebe que é necessário mostrar que não esqueceu do povo, que o ataque aos programas sociais de “distribuição de renda, como o Bolsa Família e outros” não acontece pela mudança de partido no governo, mas que se trata de uma necessidade de Saneamento das Contas e Combate à Corrupção! Como “compensação”, oferece “migalhas”  para movimentar a pequena economia, como a devolução do FGTS das contas inativas, a abertura de crédito, a abertura de “cursos profissionalizantes” para o segundo grau (como se os IFES não fossem profissionalizantes!) e um aumento na Verba da Educação sem fazer menção às leis feitas pelo próprio governo para o contingenciamento dos investimentos… “Pão e Circo para o Povo” continuam sendo armas dos governos “imperiais” para manter o povo “satisfeito” e inconsciente para não incomodar os governantes! Como nos tempos da ditadura civil-militar de 64 a 85, voltou a transmissão de jogos de futebol todos os dias da semana, além da UFC que substitui as lutas dos gladiadores dos circos romanos!

RESISTÊNCIA GEOGRAFICAMENTE CONCENTRADA

                Não podemos afirmar que o povo está paralisado, que a classe trabalhadora está “dopada” pelo vírus do Sistema. Há manifestações até multitudinárias e tentativas de reorganização das esquerdas para fazer frente à onda de neoliberalismo impulsionadas pelo atual governo. Há manifestações contra as Reformas da Previdência e Trabalhista. E há pré-organização para manifestações maiores em datas importantes para o processo de construção das reformas.

                Mas há um problema de organização das classes trabalhadoras: o problema da concentração geográfica, ou seja, no Rio e em São Paulo. Nos demais estados da Federação as manifestações ou não existem, ou são minguadas e não aparecem na Mídia.

                Sabemos que Brasília fica longe das massas trabalhadoras do país. Esta é uma característica que ajuda os governos, pois se sentem distantes do povo e mais livres para agir sem a presença das massas trabalhadoras. Concentrar-se em Brasília, na sede dos poderes governamentais daria mais força às classes trabalhadoras. Com exceção do MST, das organizações indígenas e das mulheres, há poucas categorias de trabalhadores/as com tradição de marchas à Capital Federal. E o Sistema sabe muito bem que esta é uma “carta em sua manga”: os “representantes do Capital” vão e voltam de Brasília de avião pago pelos impostos do povo. E o povo tem que ir de ônibus fretado e acampar em condições precárias. Uma pequena diferença, não?! E nosso povo continua lutando, sacrificando-se, saindo às ruas, fazendo abaixo-assinados e caravanas até os locais de funcionamento dos poderes do Estado … E só para conseguir migalhas, pois a refeição farta é reservada aos administradores do Sistema! Até quando teremos paciência para suportar isso?!

RESISTÊNCIA ÀS REFORMAS

                O Sistema só cedeu às pressões das classes trabalhadoras e aceitou “na marra” as leis de proteção aos trabalhadores com medo do avanço do Socialismo. Por isso, nos governos “ditos populistas” de Vargas, Perón e outros, foram feitas as CLTs , vigentes até os dias atuais. Já perdemos alguns direitos nelas contidos, mas o Sistema não se contenta com o que já extraiu dos/as trabalhadores/as. A fome de lucro das classes dominantes é insaciável! O próprio Sistema leva a isso! Não se trata de uma ‘ganância’ individual do capitalista. É o próprio Sistema que obriga os donos do Capital a serem ambiciosos, a desejarem ganhar a todo custo. Eles também são administradores e, ao mesmo tempo, ‘vítimas’ do Sistema. E, nesta fase do Capitalismo, sua volta ao Neoliberalismo, a ‘necessidade’ de suprimir/tirar direitos dos trabalhadores é terrível! Já começou com o Banco de Horas, com as Terceirizações e outros ‘arranjos’ para enrolar trabalhadores/as… Isso, sem contar com a astúcia do endividamento através do Cartão de Crédito, dos empréstimos, do consumismo. Endividamento é igual a Escravidão: as pessoas e famílias endividadas aceitam quaisquer condições para saldar suas dívidas, para “limpar o nome” do Serasa. Os/as trabalhadores/as se matam para pagar dívidas, enquanto as grandes empresas devem milhões para o governo, para o INSS e não ‘esquentam a cabeça’.

                Mas, como se não bastassem os direitos já roubados dos/as trabalhadores/as, aí estão as Reformas propostas por esse governo representante do Sistema e de seu império. Como o governo tem maioria no Congresso Nacional e aprova tudo o que o Sistema quer, á única forma de barrar ou amenizar a retirada de direitos das classes trabalhadoras é a mobilização popular: seja junto aos parlamentares em suas bases, seja em mobilizações multitudinárias, seja conseguindo parceiros de categorias de trabalhadores com prestígio junto aos poderes, como a OAB (que já se manifestou contra!). A classe trabalhadora, através de suas categorias organizadas em Sindicatos e Centrais Sindicais tem que encontrar formas de RESISTIR até as últimas forças, pois as consequências poderão ser desastrosas para os/as trabalhadores/as nas próximas décadas. Assim como a CLT da década de 1940 trouxe benefícios para a classe trabalhadora ao longo de mais de 60 anos, as Reformas já aprovadas e as quais podem ser em breve, darão frutos amargos nas próximas décadas. Vejam nossa responsabilidade com o presente e o futuro da classe trabalhadora!

A ENTREGA DO PATRIMÔNIO PÚBLICO

                Enquanto o povo organizado comemorava ou deplorava o resultado do Golpe de 2016, o governo golpista aproveitava o tempo para cumprir o papel que o Sistema e seu Império lhe designaram: entregar o patrimônio público ao Capital Internacional. A entrega da Petrobrás e das suas reservas, como o pré-sal, foram muito fáceis: a operação Lava-Jato já havia feito o “serviço sujo” de desprestigiar a maior e mais bem equipada empresa de petróleo do mundo e a possibilidade de se tornar a maior potência de derivados de petróleo do século. O senador José Serra, imediatamente nomeado Ministro de Relações Exteriores, já tinha um projeto de lei para iniciar o leilão das jazidas de petróleo do país. O cargo de ministro favoreceu ainda mais a entrega desse patrimônio do povo brasileiro conquistado por enormes mobilizações e campanhas nas décadas de 30 a 50: “O PETRÓLEO É NOSSO”! O que toda uma geração e seus governos conseguiram, nós deixamos entregar ‘de graça’ ao Capital

                Mas não foi só isso: o governo federal, aproveitando-se dos apertos financeiros e das dívidas públicas dos governos estaduais, negociou o pagamento das mesmas com a condição de venderem todos os “ativos públicos” (nas palavras do ministro da Fazenda!) a fim de ‘fazer caixa’ e pagar seus compromissos. Por isso, governos estaduais, seguindo exemplo do federal, estão vendendo, e a preço de banana, o que foi construído e pago pelos impostos do povo! O que sobrou do patrimônio público após o governo de Fernando Henrique Cardoso ( o maior entreguista do país: basta lembrar do leilão da Vale do Rio Doce!), agora chegou a vez do capital internacional comprar. E tudo com as desculpas da ineficiência das empresas públicas e da necessidade de fazer caixa” para pagar as dívidas. E todos sabemos que não se pagaram e nem se pagarão dívidas públicos que continuam aumentando assustadoramente. As do país já passam de SEIS TRILHÕES DE REAIS! E seus serviços consomem anualmente quase 50% da arrecadação total do país! Estaria na hora de um governo que faça uma auditoria séria das Dívidas Públicas!

FIM DE UM CICLO?

Frente a tantos desafios para a classe trabalhadora, um “consolo/esperança”: a história do universo, da vida e do gênero humano acontece em ciclos que tem início, meio e fim! Segundo especialistas em economia, estamos vivendo o ‘fim de um ciclo econômico’, ou seja, o neoliberalismo terá uma duração relativamente curta, seja porque as classes trabalhadoras não o suportarão e reagirão, seja pelo esgotamento dos recursos do planeta. Como o Sistema costuma ser mais cruel no fim de seus ciclos, está sendo tão opressor e tão prepotente!

O que nos resta como classe trabalhadora? RESISTIR e PREPARAR-NOS PARA A VIRADA! Preparar lideranças, movimentos, mobilizações de massa para resistir e estar preparados na hora de construir o mundo que sonhamos: mais endereçado à VIDA em todas as suas manifestações, mais solidário, mais integrado ao planeta. MULHERES E HOMENS NOVAS/OS para darem conta de um Novo Mundo!

Com esperança e carinho do irredento

Jandir Santin

Chapecó, 11/03/17

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