Carta do Encontro do Núcleo dos Irredentos realizado em SP, em 17 e 18/12

Aos grupos e organizações da classe trabalhadora brasileira.

Aos movimentos populares que lutam por moradia, direito à terra e a outras justas reivindicações.

Aos setores mais oprimidos de nosso país, povos indígenas, afrodescendentes, população das favelas, mulheres e população LGBT.

Carta do Encontro de Os Irredentos realizado em São Paulo nos dias 17 e 18 de dezembro de 2016.

Reunidos em tempos de acirramento da luta de classes e incremento da agressão da classe dominante ao povo brasileiro na procura de rumos certos para nossa luta.

Balanço do Brasil correspondente ao período do PT.

Constatamos que tivemos alguns avanços na redistribuição da renda e na formulação de medidas e políticas sociais, que alargaram o acesso à educação formal, assim como aos serviços públicos de saúde e ao consumo de bens básicos entre a população tradicionalmente excluída.

Mas a redistribuição de renda e o acesso a melhores condições de vida não foram percebidos como uma conquista do povo organizado, nem acompanhada de um processo educativo que mostrasse isso como resultado da ação política do governo PT e que requeria a atuação organizada dos trabalhadores para perdurar. Paradoxalmente, as melhorias econômicas apontadas têm sido acompanhadas de um grande retrocesso ou estagnação na consciência, organização e formação do poder popular.

Os governos Lula e Dilma já implementaram algumas medidas neoliberais que contribuíram para a desmobilização popular. Desde sua chegada ao governo federal, o PT e a esquerda de modo geral renunciaram à formação político-ideológica das lideranças populares, não trabalharam para definir e propor um projeto político de sociedade que afirmasse o poder e direitos do povo e desestimularam o debate sobre os conflitos sócio-econômicos. De fato, o conjunto de elementos apontados produziram uma desmobilização geral da classe trabalhadora desativando as greves, marchas e ações de reivindicação de direitos populares.

Além disso, não foi planejada nem preparada a construção de uma imprensa alternativa que informasse e orientasse desde a perspectiva popular e que pudesse disputar com o permanente labor manipulador da mídia hegemônica. Por isso, quando os donos do capital decidiram expulsar o PT do governo para colocar um representante de sua confiança e impor o mais cruel e prolongado plano econômico neoliberal, não houve maneira nem plataforma organizada para neutralizar a imprensa golpista e combater a estratégia do grande capital.

Ao escolher o caminho de conciliação de classes, de alianças espúrias em condições subalternas, renunciando à mobilização consciente do povo, abriu-se a porta à restauração plena das forças oligárquicas subordinadas ao imperialismo, que trabalham pela imposição e consolidação de uma sociedade profundamente desigual, exploradora dos trabalhadores e destruidora dos bens naturais e da biodiversidade.

OS IRREDENTOS: Somos um pequeno grupo, apenas uma semente.

Temos feito um trabalho de resgate da memória de lutas revolucionárias do povo brasileiro, latino-americano e caribenho. Acreditamos que os trabalhadores organizados devem atingir a qualidade de sujeitos de sua história por meio da formação na luta, do debate aberto sobre as contradições sociais existentes e o projeto de dominação internacional e local que a nós se impõe. No que pese nossos limites, temos organizado debates sobre as práticas e projetos de dominação; estimulado processos de formação de quadros, bem como promovido trocas de experiência sobre organização popular. Na nova etapa instaurada pelo governo golpista, queremos priorizar a luta político-ideológica que ajude a transparecer os interesses em luta.

Desde nossa experiência, queremos chamar os grupos e organizações com os quais convergimos e nos sentimos irmanados, a promover o debate político-ideológico, a organização de base, a unidade do povo trabalhador para dar maior força às causas populares, para ir tecendo um projeto popular que nos permita avançar. Todo nosso trabalho está na perspectiva de contribuir com a formação de uma alternativa revolucionária.

Nós Irredentos, nos inspiramos no legado de grandes revolucionários que têm aberto caminhos novos para os povos do mundo, como Lenin, Rosa Luxemburgo, Che Guevara, Fidel Castro, Roberto Santucho, Raúl Sendic, Carlos Fonseca, Sandino, Farabundo Martí, Marighella, Lamarca, Dandara dos Palmares, Tânia, Angela Davis, Olga Benário e outros/as.

Estamos conscientes de que a raiz dos problemas sociais que atingem a humanidade é a dominação de classe dos exploradores contra os explorados. Essa dominação tem diversos níveis e diferentes geografias: além das manifestações locais (organizações patronais versus sindicatos de trabalhadores e movimentos sociais), estão as regionais (capitais e estados concentradores da riqueza nacional e dos Meios de Comunicação) sobre o interior; e o domínio mundial do capitalismo central e de suas transnacionais sobre os continentes latino-americano e africano. Além destes aspectos, temos o domínio absoluto do Capital Financeiro sobre os governos do mundo e os demais aspectos do sistema capitalista. Enfrentar esta dominação é também nosso principal desafio, devendo trabalhar para que nossa ação política se realize através de um processo político-pedagógico que contribua para o desenvolvimento de uma consciência de classe e estabelecimento de uma nova sociedade com o maior nível de equidade possível, equidade esta que só pode ser alcançada no rumo de um socialismo adequado à realidade brasileira, tendo em vista critérios sociais, econômicos, políticos, culturais, espirituais que assegurem a prioridade do bem comum sobre o lucro de poderosas minorias.

Nosso principal foco é constituir um grupo com capacidade de oferecer “algo novo”. Nada de partido eleitoreiro, mas um trabalho que contribua na transformação da consciência e na unificação das lutas e mobilização das massas. Um grupo que contribua na coordenação das lutas populares, que se coloque a serviço da intercomunicação entre as muitas e diferentes organizações populares.

Reconhecemos que, na presente situação brasileira, devemos dar atenção especial a setores da classe trabalhadora que são vítimas de condições desiguais também no interior da classe, como negros, indígenas, mulheres, grupos LGBT, etc.

Apontamos como nossas prioridades: a formação de quadros, luta pelo acesso à moradia, à terra e contra o latifúndio, biodiversidade, soberania alimentar, fortalecimento da economia popular, resgate da memória histórica das lutas da classe trabalhadora, exigência de justiça ante aos crimes da repressão civil-militar, a continuidade do processo de demarcação das terras indígenas e o respeito ao que está demarcado, defesa da riqueza nacional, liberdade sindical e retorno ao sindicalismo combativo que defenda os interesses da classe trabalhadora; luta contra as bases militares estrangeiras nos países Latino-americanos e Caribenhos, ações de integração da América Latina e Caribe.

Diante das manifestações de unidade do povo cubano ante a morte do comandante Fidel Castro, reconhecemos a grande contribuição da Revolução Cubana a processos de libertação nacional em vários países e na busca de um mundo mais justo. Que o exemplo da revolução cubana ilumine os caminhos para a busca da soberania latino-americana e caribenha! Para tanto, defendemos o comprometimento de toda classe trabalhadora do mundo na solidariedade com o povo e governo Cubano. E com os povos da Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua, e sues governos que unidos a Cuba, integram a Aliança Bolivariana dos Povos de Nossa América.

Registros do Encontro:

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