Companheiro Carlos Marighella – há 47 anos: Presente!

Por Raphael Martinelli (*)

O companheiro Marighella foi morto, há 47 anos, numa emboscada cínica e cinematográfica, armada até os dentes, pelo bufão-poltrão, anão de jardim da ditadura, delegado Fleury, na Alameda Casa Branca, em São Paulo. Esta parte da história a maioria já conhece de cor e salteado.

Também é bastante conhecida sua origem: nascido em Salvador, 5 de dezembro de 1911, um dos sete filhos do operário Augusto Marighella, imigrante italiano, e da baiana Maria Rita do Nascimento, filha de escravos africanos trazidos do Sudão (negros haussás). Foi criado na Rua do Desterro 9, Baixa do Sapateiro e, em 1934, abandonou o curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica da Bahia para ingressar no Partido Comunista Brasileiro. Torna-se, militante profissional do PCB e se muda para o Rio de Janeiro.

Durante a Era Vargas, foi preso três vezes por subversão (prisões que somadas dão sete anos) e barbaramente torturado pela polícia de Filinto Müller. Em 1945 é beneficiado com a anistia pelo processo de redemocratização do país, e no ano seguinte se elege deputado federal constituinte pelo PCB baiano. Em 1948, perde o mandato em virtude da nova proscrição do Partidão. Volta para à clandestinidade e nos anos de 1953 e 1954 percorre a China, para conhecer de perto os primeiros passos da Revolução Chinesa.

Esta parte da sua vida política também muitos conhecem: após o Golpe de 1964 é preso e solto no ano seguinte., Em 1967, vai para Cuba, participar da Conferência da OLAS (Organização Latino-Americana de Solidariedade), que teve como “objetivo central estreitar os laços de solidariedade militante entre os combatentes antiimperialistas da América Latina e elaborar as linhas fundamentais para o desenvolvimento da revolução continental.”

O que talvez alguns companheiros tenham de se lembrar – e repassar às novas gerações – é que muitas das propostas essencais destacadas pela OLAS, e que foram trazidas na bagagem revolucionária de Marighella, donde se assentaram as bases da criação da própria ALN,  ainda persistem na ordem do dia, são atuais, mesmo meio século depois.

“Constitui um direito e um dever dos povos da América Latina fazer a revolução; o conteúdo essencial da revolução na América Latina está dado pelo seu enfrentamento ao imperialismo e às oligarquias de burgueses e latifundiários. Consequentemente, o caráter da revolução é o da luta pela independência nacional, a emancipação das oligarquias e o caminho socialista para seu pleno desenvolvimento econômico e social; os princípios do marxismo-leninismo orientam o movimento revolucionário da América Latina; a luta revolucionária armada constitui a linha fundamental da revolução na América Latina; a luta histórica do povo do Vietnã presta a todos os povos revolucionários que combatem o imperialismo uma inestimável ajuda, constituindo em exemplo inspirador para os povos da América Latina” […]

Nós, revolucionários da nossa América, da América do Sul ao rio Bravo, sucessores dos homens que nos deram a primeira independência, armados de férrea vontade de lutar e de uma organização revolucionária e científica, e sem outra coisa a perder exceto os grilhões que nos prendem. Afirmamos que nossa luta constitui um aporte decisivo à luta histórica da humanidade para nos livramos da escravidão e da exploração.

É fundamental saber que por estes ideais Marighella deu sua vida, de modo que, hoje, mais uma vez, punhos cerrados e olhos no amanhã, repetimos: Marighella: “presente!” – sua ternura, sua luta e sua causa jamais serão esquecidas.

“O dever de todo revolucionário é fazer a revolução!”

(*) Raphael Martinelli é histórico dirigente sindical ferroviário, um dos fundadores da Ação Libertadora Nacional – ALN – com Marighella  e  ativo militante revolucionário. 

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