Alerta à Nação

 

democracia7

Por Paulo Cannabrava Filho

Presos e perseguidos políticos de todo esse imenso Brasil que desde 1946 viveram as alegrias de vitórias e amarguras das derrotas em todas as lutas travadas pelo povo brasileiro em defesa da democracia, pelo respeito aos direitos humanos, pela soberania sobre os recursos naturais, pela reforma agrária e pelo reconhecimento dos indígenas, pelo voto universal, para ter nenhuma criança fora da escola, escola pública de qualidade, pelo sistema único de saúde, por um sindicalismo atuante em defesa dos legítimos direitos dos trabalhadores, pela equidade de gênero; contra todo tipo de discriminação, por eleições diretas…

Nessa trajetória adquirimos algumas certezas:

Não se pode chamar de democracia quando se vive sob o pensamento único imposto pela ditadura do capital financeiro em que não se permite sequer discutir que há caminhos para o desenvolvimento com inclusão social e pleno emprego;

Não se pode construir um estado democrático se não ha segurança jurídica. O respeito às leis, especialmente à Constituição é prioridade para alcançar a plenitude dos direitos civis;

Como no passado, vemos que os cordões que hoje movem os principais protagonistas da política econômica e monetária estão em Washington e outros centros do poder hegemônico das mega corporações transnacionais;

Denunciamos que o Ministério Público, as forças policiais e militares estão em conluio com os agentes desses centros hegemônicos do poder transnacional. A embaixada dos Estados Unidos por exemplo, recebe diariamente os documentos das investigações e dos processos das operações em andamento, como Lava Jato,  Zelotis e outras.

Vimos que quem organizou, equipou e treinou os agentes tanto dos serviços nacionais de informação como da Polícia Federal, as Polícias Estaduais e as demais forças militares foram os agentes dessas potencias. Muitos de nós fomos interrogados e torturados na presença desses assessores que implantaram o terrorismo de estado.

Estamos presenciando que a crise na atual conjuntura é mais política que econômica e além de paralisar o país está a arrastar a nação para o atraso, a miséria, o caos. E sabemos que a implantação do caos é o objetivo da estratégia de expansão e dominação do capitalismo transnacional. Na duvida, basta lembrar o que fizeram no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, o que está a ocorrer na Síria, na Turquia na Palestina.

Essa estratégia de dominação do capital transnacional já conquistou grandes espaços no nosso Brasil. E é ai que reside o maior perigo, o fulcro da questão a ser resolvida para garantir uma existência digna para as gerações futuras. O parque industrial no Brasil de hoje é menor que o que tínhamos nos anos 1970, e, com a agravante de que o que ainda funciona é de propriedade do capital transnacional. As decisões sobre o que produzir e como produzir já não são mais tomadas por brasileiros nem em território nacional. Os lucros, dividendos e royalties constituem apenas perdas para nossa economia e ganhos para os investidores estrangeiros.

Decidiu-se em Wall Street que o Brasil deve ser grande produtor exportador de produtos primários e importador dos bens de consumo necessários para uma vida digna. Assistimos ao saqueio ininterrupto, sem qualquer controle, de nossas riquezas minerais.  Exportamos minérios  e já não fabricamos sequer os trilhos para nossas poucas ferrovias.

Assistimos a ocupação predadora e genocida das nossas terras agrícolas, o desmatamento impune, a morte de nossos rios e das águas litorâneas. Tudo isso com sanha de obter lucro das gigantes transnacionais, multinacionais e nacionais da agroindústria que produzem para exportar.

Assistimos os poderes da República reféns de bandidos que ditam as pautas da política e dos meios de comunicação.

Enquanto a nação se distrai com os escândalos midiáticos em torno das investigações sobre corrupção o capital transnacional aproveita a perplexidade geral para comprar o que ainda resta neste país em liquidação. Até as escolas para nossas crianças e jovens estão sendo apropriadas pelas grandes corporações.

Contra essa realidade nos insurgimos.

É preciso reagir. É preciso sair do atoleiro. É preciso vencer a perplexidade e por a sociedade em movimento.

É preciso construir um novo modelo de desenvolvimento fundado na soberania nacional e que privilegie fundamentalmente o que de mais rico tem a nação brasileira que é seu inteiro povo. Um modelo que tenha como objetivo o pleno emprego, fundado na exploração racional e planejada dos recursos, na recuperação e desenvolvimento do setor industrial.

Soberania nacional é ter de novo o controle sobre os centros de decisão, fundamentalmente aqueles relacionados com a segurança nacional, a segurança pública e a segurança alimentar, bem como com a formulação das estratégias de desenvolvimento sustentável.

É preciso reagir contra a transformação de nossas escolas e de nossa juventude em fonte de lucro para o capital transnacional. Nossos grandes mestres, Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro, Paulo Freire, nos ensinaram que não se constrói uma democracia nem se gera desenvolvimento sem educação, sem que todas nossas crianças estejam na escola. É preciso recuperar a Escola pública, de tempo integral e qualidade.

Conclamamos a todos os movimentos sociais, aos militantes dos partidos políticos, conclamamos principalmente a juventude e as mulheres e os homens inconformados, a dizer basta, a libertar-se das amarras do pensamento único e cerrar filas em torno de uma grande frente patriótica de salvação nacional que tenha como proposta um projeto de desenvolvimento nacional.

Ha que construir a Unidade em torno de um projeto nacional. Partidos e líderes em torno de um projeto, não em torno de candidaturas ou de legendas. Só assim devolveremos à nação a confiança no processo político democrático hoje desacreditado.

Dizia Betinho, o sociólogo Herbert de Sousa, …a democracia serve para todos ou não serve para nada.

 

 

 

 

 

 

 

 

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