NOTA DE REPÚDIO AO DEPUTADO FEDERAL JAIR BOLSONARO – COMITÊ PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA DO CEARÁ

bolsonaro esterco

Como se não bastasse o espetáculo deprimente da votação na Câmara dos Deputados para decidir a posição dessa avacalhada instituição legislativa sobre o impeachment da presidente Dilma, por si só uma jogada de  bandidos derrotados  nas urnas, o povo brasileiro assistiu a um ritual macabro de louvor à tortura. O celebrante foi o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-Rj), militar da reserva e pré-candidato à presidência.

Explícito defensor de crimes de lesa-humanidade, atestado em diversas declarações, como: “o grande erro [da ditadura] foi torturar e não matar”. Ao referir-se a deputada Maria do Rosário (PT-RS), disse que não a estupraria porque ela “não merece”, por não fazer seu gênero. Anos atrás, o mesmo delinquente defendeu uma CPI que tivesse pau-de-arara para o deputado Chico Lopes (PcdoB-Ce) “Ele merecia isso, pau-de-arara. Funciona. Eu sou favorável à tortura”.

Domingo passado, Bolsonaro votou pelo impedimento de Dilma, reafirmando sua posição nazi-fascista em homenagem ao militar que chefiou o maior órgão de repressão durante a ditadura de 1964, que sequestrou, assassinou e, entre centenas de seres humanos, também torturou a atual presidenta: “Perderam em 1964. Perderam agora em 2016 (…) Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff (…)”.

Ustra ficou conhecido por torturar mulheres inserindo ratos em suas vaginas, espancando-as e estuprando-as. Além de Dilma, outra vítima emblemática do Ustra, foi Amelinha Teles, que teve seus filhos de 4 e 5 anos levados para a sala em que estava sendo torturada, para assisti-la na “cadeira do dragão”, “nua, vomitada, urinada”.

O referido coronel foi acusado pelo Ministério Público Federal por envolvimento em crimes como o assassinato do militante comunista Carlos Nicolau Danielli, sequestrado e torturado nas dependências do DOI-Codi. Seus crimes também foram reconhecidos pela Comissão Nacional da Verdade.

Com a complacência da maioria dos deputados da Câmara e dos senhores magistrados do judiciário, o deputado Bolsonaro tem praticado todo tipo de apologia do crime e incitação à violência e nenhuma medida punitiva lhe é imposta. Para isso, só há uma explicação: ele se sente respaldado e protegido pela maioria que compõe a Câmara e o judiciário constituídos por comparsas seus.

Frente a isso, o COMITÊ PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA DO CEARÁ resolve tornar pública esta nota de repúdio a esse deputado fascista Bolsonaro, defensor da ditadura militar e da tortura, que em qualquer país que respeite seriamente o Estado de Direito, já teria sido processado e com seus direitos políticos cassados. Ao mesmo tempo, propõe uma imediata ação de todos os segmentos da classe trabalhadora, em voz unânime, para exigir a cassação do mandato parlamentar desse deputado que representa espúrios interesses e a degradação da espécie humana. Através dele, todos os nazi-fascistas e as mentes mais hediondas se sentem representados. Frente a ele Hitler se contorceria de inveja.

Fortaleza, 19 abril de 2016.

Integram o CMVJ – Ce:

  • Adriano Torquato – Sindicalista – do Sindpd
  • João Vasconcelos – ex-preso político
  • José Maria Tabosa – ex-preso político
  • José Tavares – Presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Estado do Ceará – SINDICAM-CE
  • Lúcia Rodrigues Alencar Lima – Instituto Frei Tito de Alencar
  • Maria Eliane – Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (MOTU)
  • Olga Benario de Sousa Pinheiro – Pesquisadora
  • Ricardo Zúñiga García – educador e colaborador da ADITAL
  • Sergio Luiz – Direção do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados – Sindpd
  • Stella Maris Nogueira Pacheco – Advogada, membro da RENAP; e integrante do grupo Aparecidos Políticos
  • Valter Pinheiro – integrou o PCBR; ex-preso político.
  • Wanessa Canuto – Jornalista e integrante da Casa de Cultura e Defesa da Mulher Chiquinha Gonzaga

Apoiam esta nota:

Casa de Cultura e Defesa da Mulher Chiquinha Gonzaga

Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB

Central Única dos Trabalhadores – CUT

Coletivo Nacional de Juventude Negra – ENEGRECER

Comunidades Eclesiais de Base – CEB’S

Consulta Popular – CP

Elsa Pena Sales – Professora / Sindicalista

Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Ceará – FETRAECE

Levante Popular da Juventude – LPJ

Marcha Mundial das Mulheres – MMM

Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST

Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos – MOTU

Partido Comunista do Brasil – PCdoB

União Brasileira de Mulheres – UBM

União da Juventude Socialista – UJS

União de Negros pela Igualdade – UNEGRO

União Nacional dos Estudantes – UNE

 

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Um comentário sobre “NOTA DE REPÚDIO AO DEPUTADO FEDERAL JAIR BOLSONARO – COMITÊ PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA DO CEARÁ

  1. Completo e total absurdo um canalha fascista desses estar com espaço público. O mínimo a fazer, se é que ainda resta alguma credibilidade à Câmara dos Deputados, É A SUA EXPULSÃO DA CASA E CASSAÇÃO DO MANDATO EM NOME DA DIGNIDADE!

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