Anotações de um Monolítico

MacriLatuff2

Por Pablo, el MONOlítico

Ante as dificuldades político-sociais que a região vivencia, quero me referir às causas fundamentais que levam aos povos com governos progressistas a não resistir aos embates do capitalismo que trazem perigo aos seus interesses de classe dominante.

Depois de uma longa noite de repressão-tortura-morte e desaparecimentos forçados de pessoas, vimos a luz, e na década dos anos 80, os povos do Cone Sul da América Latina começaram a transitar por caminhos de um novo despertar. Aqueles sonhos postergados de uma militância comprometida com a construção de um Mundo Novo; de uma Sociedade Socialista, eram possíveis. Assim, surgiram Governos Progressistas; Governos Reformistas e também Governos Revolucionários.

Somente é possível apreciar  a aplicação prática dos princípios da LUTA DE CLASSES no Governo da República Bolivariana da Venezuela, onde não apenas se questionou mas também se combateu o sistema capitalista mediante as políticas de expropriação-nacionalização-estatização e a construção de  Forças Armadas a serviço do resguardo dos interesses do povo e da nação.

Podemos encontrar diferenças na aplicação das políticas implementadas em cada país, mas não devemos nos deter em fazer comparações, nem antagonizar ditas experiências, mas sim salvar essas diferenças e avançar sobre aqueles elementos fundamentais que fazem possíveis toda mudança social. Refiro-me à tomada de consciência e para isso devemos assumir plenamente os princípios da luta de classes que é permanente enquanto existam exploradores e explorados.

Nas décadas dos anos 60, 70 e 80 houve tentativas revolucionárias que buscaram romper os laços de dependência dos nossos povos com o imperialismo. Alguns desses movimentos fracassaram, mas também houve outras experiências onde a militância soube assumir os princípios da luta de classes e apresentou uma opção revolucionárias mediante a criação de um partido revolucionário marxista-leninista que propunha representar a classe operária. Esta política revolucionária semeou a ideia da revolução socialista e deixou presente para sempre, diante  do olhar e dos sentimentos do povo trabalhador, que a conquista dos direitos sociais e políticos eram possíveis de ser obtidos mediante as lutas reivindicativas-políticas e revolucionárias do povo e da grande massa trabalhadora. Para consegui-lo teria que canalizar a luta através dos organismos de massas que propunha o partido revolucionário. A proposta não era só a criação de ditos organismos políticos-sociais, mas também a consolidação dos mesmos para lhes dar permanência e aprofundamento no tempo, de maneira a questionar e combater as estruturas político-culturais-ideológicas do capitalismo. Ou seja – definitivamente – questionar o poder burguês.  Aonde o poder do sistema não aparece está o poder popular. Um exemplo claro de questionamento do poder burguês, foi a recente experiência de duplo poder que levou adiante a Organização TUPAC-AMARÚ, em Jujuy-Argentina. Em que se questionou o que o sistema capitalista propõe na Constituição Nacional: que o governo deve garantir aos seus cidadãos o Direito à Vida e que para isso deve garantir o Direito ao Trabalho, o Direito à Saúde, o Direito à Moradia, o Direito à Educação, assim como também o Direito à Proteção dos Recursos Naturais. Essas concepções de duplo poder da militância do Partido Revolucionário dos Trabalhadores da Argentina nos anos 70, fizeram-se carne na mente e nos sentimentos do povo trabalhador e suas organizações sociais e puderam tornar possível sua concretização.

Existem vídeos da Tupac-Amaru que mostram as conquistas obtidas pela organização na província de Jujuy-Argentina. Também devemos dizer que o atual governo de direita neoliberal da Argentina tem encarcerada como presa-política a dirigente social da Tupac-Amaru, Milagro Salas, por ser consequente com seus princípios  de classe-sociais e revolucionários na sua política de questionar o poder burguês. Com a luta tudo é possível.

Compreender claramente essa questão é saber identificar as manobras e as armadilhas que a burguesia e o capitalismo empregam para conservar o governo. Devemos gravar em nossas mentes e na mente do povo trabalhador que não há solução aos problemas das massas trabalhadoras se não questionamos e despojamos do poder os capitalistas.

Hoje podemos ver na maioria das decisões que o governo de direita neoliberal da Argentina toma, em todas as medidas econômicas, o faz buscando justifica-las em uma suposta “pesada herança” quando na realidade o faz no desespero por resolver o diferendo com os fundos abutres. Aqui, pode-se apreciar, claramente, uma questão ideológica por sua concepção teórica e também pelos interesses que representa, a essas medidas devemos acrescentar a política de demissões de trabalhadores estatais e privados, dando início a um exército de desocupados que lhe permitam no futuro aplicar uma política de salários baixos.

Enquanto leva adiante essas políticas odiosas, sua preocupação central é a militarização do país, nesse momento se encontra em ianquelândia assinando acordos estratégicos – que já foram conversando com Obama em sua visita ao Sul da Argentina – a entrega do Sul do nosso país ao imperialismo pelo que representa a extração do petróleo nos próximos 50 anos, onde para isso precisam militarizar a região recorrendo ao ingresso imediato ao território nacional de forças e serviços contra-insurgentes – um novo Plano Condor.

Naturalmente, fica demonstrado o caminho a percorrer no futuro, onde o capitalismo buscará empregar todos seus poderosos meios materiais, as corporações midiáticas, rádios e TV, seus agentes no campo popular, a intimidação e a perseguição repressiva, o suborno e a conspiração contra-insurgente com o objetivo de dividir as forças populares, buscando impedir a todo custo o surgimento de uma alternativa de esquerda nacional-popular e revolucionárias que se oponha à direita neoliberal.

Fraternalmente, o Irredento MONOlítico

*Tradução livre feita pelo Blog Os Irredentos. Colaboração escrita em 04/04/2016.

 

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