24 de março na Argentina e América Central: mais que uma data, um emblema.

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Por Ricardo Zúñiga (*)

Além de projetos políticos, os povos precisam de símbolos e datas comemorativas para ir construindo sua unidade popular, condição indispensável para defender o que já foi conquistado e alcançar novos avanços.

Em El Salvador e toda América Central, o 24 de março está, indissoluvelmente, associado ao Testemunho e palavra viva de Dom Romero em defesa da vida e dos direitos humanos, pessoais e coletivos. Romero é a figura mais notória entre milhares de lutadores e resistentes de um povo organizado. Junto a Romero, o grande símbolo, vai avançando o trabalho de resgate de outros mártires que apontaram o caminho. A figura de Romero os reforça e potencia. Cada ano, segue penetrando na consciência popular sua mensagem e exemplo, hoje é o mais significativo e universal dos salvadorenhos, confirmado pelo processo de canonização. A recuperação da memória, a busca da verdade e justiça, é caminho essencial para um novo El Salvador, que possa resistir à nova guerra do crime organizado.

Por essas convergências da nossa história latino-americana, 4 anos antes do martírio de Romero, aconteceu um golpe de Estado que abriu as portas para o massacre de grande parte da juventude e do povo lutador da Argentina. Essa ditadura criminosa provocou respostas do povo organizado que também foi se insurgindo em símbolos de luta, e entre tantos frutos destacam-se: Rodolfo Walsh como experiência de resistência pela liberdade popular de expressão, as Mães e Avós da Plaza de Maio, e centenas de organizações pela memória, verdade e justiça. A simbologia combativa surgida no seio do povo argentino, nesse truculento período, é, atualmente, uma força potente na resistência e clareza ideológica das camadas populares, em meio ao avanço das forças mais antipopulares, pró-neoliberais.

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Neste grande Brasil, as forças de direita, tem conseguido embaçar a visibilidade dos grandes símbolos de luta. Este 24 de março, data de grande repercussão na vizinha Argentina e na longínqua América Central, é um convite para rememorar e se inspirar nos grandes personagens da história da resistência do povo brasileiro. Além de pôr em prática a tarefa, muitas vezes prorrogada, por prorrogada humildade, de buscar conhecer e aprender melhor da vasta experiência de outros coletivos latino-americanos na batalha pela dignidade nacional e por manter em pé a integração dos povos, que tantas mãos hermanas, arduamente, contribuíram para levantar.

(*) Ricardo Zúñiga é educador nicaraguense e colaborador de Adital

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