Herança maldita do FHC

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Por Darcy Rodrigues (*) 

 

Fernando Henrique Cardoso em sua passagem pelos bancos escolares americanos absorveu os conhecimentos criados dentro do pentágono em plena guerra fria, sobre o chamado “estado mínimo”.  Não entendeu o diligente aluno que a fórmula era apenas para os países latinos americanos e que enquanto os EUA construía um estado gigante e dominador exportava a teoria que tirava o poder de defesa dos países ocidentais.

Não vou nem ater-me a doutrina de Monroe que era ensinada nas escolas brasileiras como “America para os americanos”, omitindo seu real significado: América para os americanos do norte. Tais conhecimentos desenvolveram o apetite político e a teorização do que passou a ser conhecido como neoliberalismo, e o estado brasileiro estava à disposição dos neoliberais (lê-se social democracia ou simplesmente PSDB).

Aproveitando-se das circunstancias e omitindo determinadas verdades foi iniciada assim uma feroz perseguição, a “Era Vargas”.

Criada em 1942 por Getulio Vargas, a Vale do Rio Doce transformou-se na terceira maior mineradora do mundo, sendo a primeira na produção de ferro a segunda principal exportadora de níquel, além de produzir também manganês, cobre, bauxita, potássio, caulim, alumínio e etc.

Em 1997 sob muitos aplausos da elite brasileira, FHC privatizou- ou será que o melhor não seria dizer doou- a Companhia Vale do Rio Doce. Iniciava-se a carreira do maior corretor do mundo ao mesmo tempo em que cometia um dos mais graves crimes de lesa-pátria de nossa historia contemporânea. Uma riqueza imensurável que foi dilapidada através da “doação” insensata e criminosa, em que os interesses pátrios foram renegados e traídos em nome da visão neoliberal dos tucanalhas.  A crise midiática/política atual reflete o preparo para a liquidação de nosso maior patrimônio, a Petrobras e consequentemente o pré-sal.

Voltemos, porem, a Vale do Rio Doce sem nos esquecemos da afirmação de Abílio Diniz: “O Brasil é um país for sale” (em liquidação). A Vale do Rio Doce enquanto patrimônio do povo tinha dentre suas atribuições a função social, inclusive no que diz respeito ao exercício de exploração e a questão segurança era básica.

O desastre provocado pela Samarco Mineração SA, controlada pela Vale do Rio Doce e pela australiana BHP, tem todas as digitais da irresponsável desnacionalização da CIA produzida pelo governo de FHC. A busca do lucro desassociada da responsabilidade social levou ao rompimento das duas barragens causando o maior desastre ecológico da historia do Brasil. Os prejuízos financeiros e ambientais são, até o momento, incalculáveis. O que falar das vidas perdidas e das famílias destroçadas? Os estados de Minas Gerais e Espírito Santo sofreram com a visão financista e assassina dos mercadores patrimoniais do país. É impossível desassociar o desastre de Mariana do seu real motivo: a privatização da Vale. Como negar que a lógica mercadológica despreza as questões sociais? Como defendia Maquiavel, o lucro justifica os riscos.

Se por um lado a companhia não pertence mais ao povo, os prejuízos ambientais e sociais foram totalmente impostos ao povo.  A questão é se haverá recuperação aceitável, quanto tempo será necessário e qual encargo social que isso irá gerar.

A lógica neoliberal adotada cegamente pela tucanagem cobra com juros e correção monetária seu preço de verdilhões da pátria. O povo chora seus mortos, o meio ambiente agoniza na mão dos acionistas que só se preocupam com seus dividendos.

A historia da Vale foi maculada, enquanto FHC é bajulado pelas elites. Essa é uma herança maldita que não chega ao fim.

(*) Darcy Rodrigues é militar da reserva, formado em pedagogia, economia e direito. Resistiu contra a ditadura militar brasileira militando ao lado do Capitão Carlos Lamarca na guerrilha Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Foi preso, torturado e banido do Brasil, permanecendo exilado em Cuba por 10 anos. 

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